História da semana #136 - Reencontro (parte 3)
O quinteto maravilha! Era assim que eles se chamavam quando adolescentes. Cinco jovens que percorreram toda a Galileia em busca das mais diversas aventuras e descobertas. Mas na história da vida sempre chega o momento de parar e eles pararam. Cada um foi para um lado. Cinco destinos diferentes que se destinavam a reunir-se mais uma vez e com um único propósito: Jesus. Ninguém sabia ao certo o que esperar do novo rabi que surgia na região, mas ele tinha algo diferente e um acontecimento inesperado vai forçar o reencontro dos cinco para buscar o Messias. Nessa semana, o grupo se completa e eles partem em busca de um milagre messiânico para salvar um membro do grupo.
O sol estava forte naquele meio de tarde. Íamos em um grupo de cinco até a parte mais pobre de Cafarnaum. Não podemos deixar em branco que havíamos passado por uma multidão que seguia Jesus no meio do caminho. Isso nos tirou um bom tempo. Jacó e Joseph insistiram e concordamos em seguir Jesus por um tempo e ver seus milagres e pregações. No fim de tarde, entretanto, nos detivemos a ir logo ao endereço fornecido pelo dono da taverna. Seria ali mesmo que Oséias estava? Nos apressamos. Não sou rico e nem tenho preconceito com pobres, mas confesso que fiquei preocupado em andar por aquelas bandas naquela hora. Logo anoiteceria e estávamos dados a sorte naquela região. Por isso, antes que chegássemos ao local, insisti que Jacó e as duas mulheres do grupo ficassem em casa de um conhecido meu da região, pois seria perigoso demais continuar. Eu mesmo estava morrendo de medo, mas preferi continuar. Rute e Jacó, prudentes como eram e sabendo do risco que corriam por serem os que andavam mais bem vestidos, acataram o convite e ficaram com meu amigo. Ana, porém, sentia uma vontade enorme de rever seu marido, fossem quais fossem as condições. Insistiu tanto que a deixamos vir conosco. Já era noite, chegamos ao endereço. Cheirava mal, havia casas caindo aos pedaços na vizinhança e um conjunto de pessoas de índole duvidosa andava pelas ruas. Joseph, que sempre fora o mais corajoso, tomou a frente e bateu na porta. Ficamos um minuto parados sem resposta, até que uma voz adolescente gritou lá de dentro: "Já vai!"
Ao entrarmos, vimos a situação calamitosa do local. Quase não haviam móveis e ratos andavam pelos cantos. Num cômodo separado, estava Oseias. Se não fosse o garoto nos anunciar quem era o infeliz, nem teríamos o reconhecido. Estava deitado. Seu rosto parecia uns dez anos mais velho do que realmente era. A barba e o cabelo desgrenhado pioravam a situação. O corpo era tão magro que nem lembrava o esbelto Oseias da nossa juventude. Joseph e eu ficamos receosos em continuar, mas Ana correu em prantos para perto de seu amor. Para ela não importava mais o passado, mas agora pensava no futuro. Deixamos os dois a sós. Oseias mal conseguia falar, mas a presença de Ana era reconfortante para ele. Na sala, o garoto falou mais para nós. Ele era filho de uma meretriz e fora abandonado bem jovem. Se criou nas ruas e ganhava a vida ajudando o dono da taverna. Certo dia, Oseias sofreu um acidente e ficou paralítico. O menino o acolheu. Isso já fazia mais de um ano. Além da paralisia, Oseias também sofria de doenças decorrentes do vício em bebidas alcoólicas e da má higienização do local onde morava. Era precário, mas era o que o menino podia oferecer. Pra você que está se perguntando sobre a idade do jovem, ele devia ter uns 15 anos e se chamava Moisés, como o libertador de nosso povo. Segundo ele, Oseias não tinha mais muito tempo de vida se não fosse levado a um médico rápido, mas o que ele podia fazer?
- E Jesus? Não poderia curá-lo? - perguntei.
- Poderia, mas ele não vem muito para cá. E se viesse, como eu levaria um paralítico as portas da morte até ele? Todos os dias vou ver Jesus e conforto Oseias com suas palavras. É o que posso fazer pelo homem. - respondeu o garoto.
Naquela noite, nós três saímos dali tristes. Chegamos em casa já tarde. Expus a situação de nosso amigo a Rute e Jacó. Eles queriam vê-lo antes que fosse tarde.
No outro dia, logo cedo, saímos os cinco até a casa de Oseias. No caminho, passamos pela casa de Tarso, um homem rico da cidade. Pessoas se aglomeravam lá. Perguntei a alguém o que ocorreria e eles disseram que Jesus falaria ali naquela manhã. Naquele momento, a ideia brotou na cabeça dos cinco ao mesmo tempo: "Podemos trazer Oseias até Jesus!"
Corremos até a casa. Moisés se preparava para ir ao mercado quando chegamos. Pegamos uma maca e colocamos Oseias nela. Tínhamos de ser rápidos. Eu, Jacó, Joseph e Moisés pegamos a maca e mandamos as moças irem a frente abrindo caminho.
Ao chegarmos a residência de Tarso, estava tudo cheio. A rua estava lotada. Ana e Rute nos esperavam.
- Não há como entrar lá! - disseram - O único jeito seria se fôssemos por cima. - disseram em tom sarcástico.
- Espere! - gritou o garoto - você está certa. Rápido, precisamos de cordas, uma escada algo para quebrar o teto!
A ideia era absurda, mas podia dar certo. Corremos pela vizinhança e conseguimos os itens. Com a ajuda das mulheres, subimos a maca para cima da casa. Quem estava fora percebeu nosso plano, mas as pessoas de dentro da casa nem imaginavam algo. Lá dentro, Jesus falava. Vários fariseus estavam ali para contestar Jesus. De repente, o teto começou a abrir-se e pedaços dele caíram no colo de Jesus, A luz do sol invadiu o recinto. Todos pararam e olharam para cima. A maca de Oseias desceu vagarosamente. Lá embaixo, os fariseus torceram o nariz. Jesus porém, olhou para cima, sorriu para nós e olhou novamente para o paralítico. Nesse momento Ana e Rute, que cortaram caminho pela multidão, chegaram para ver a cena lá de dentro.
- Seus pecados estão perdoados. - disse Jesus a Oseias.
O corpo dele pareceu relaxar. No fundo, o que Oseias mais ansiava era o perdão por seus atos, não a cura física.
Os fariseus se olharam. Um burburinho começou lá dentro. Como podia Jesus ter a autoridade de perdoar pecados? Jesus olhou fixamente para todos.
- Acham que não posso perdoar pecados? Por que pensam coisas tão ruins em seu íntimo? - disse Jesus, como se lê-se as mentes das pessoas - É mais fácil dizer a esse homem que seus pecados foram perdoados ou que ele levante-se e ande normalmente? - todos ficaram quietos - Para que todos saibam que tenho a autoridade de perdoar pecados eu lhe digo meu jovem: Levante-se e anda!
Ficamos espantados! Oseias deu um salto. Sua face envelhecida pareceu rejuvenescer. Abraçou Ana aos prantos e saímos todos dali.
Hoje, o quinteto maravilha tem mais membros. Nos vemos periodicamente. Ana e Oseias voltaram a morar juntos e começaram uma nova vida. Rute e Jacó voltaram para Jerusalém e levaram junto a Moisés, como afilhado. Eu continuo tocando minha vida como pescador, mas agora com um diferencial: eu sigo a Jesus. O rabi, que hoje tenho certeza que é o Messias, trouxe um novo rumo para todos nós. Ele mudou minha vida para melhor, deixe-o fazer o mesmo contigo.
O sol estava forte naquele meio de tarde. Íamos em um grupo de cinco até a parte mais pobre de Cafarnaum. Não podemos deixar em branco que havíamos passado por uma multidão que seguia Jesus no meio do caminho. Isso nos tirou um bom tempo. Jacó e Joseph insistiram e concordamos em seguir Jesus por um tempo e ver seus milagres e pregações. No fim de tarde, entretanto, nos detivemos a ir logo ao endereço fornecido pelo dono da taverna. Seria ali mesmo que Oséias estava? Nos apressamos. Não sou rico e nem tenho preconceito com pobres, mas confesso que fiquei preocupado em andar por aquelas bandas naquela hora. Logo anoiteceria e estávamos dados a sorte naquela região. Por isso, antes que chegássemos ao local, insisti que Jacó e as duas mulheres do grupo ficassem em casa de um conhecido meu da região, pois seria perigoso demais continuar. Eu mesmo estava morrendo de medo, mas preferi continuar. Rute e Jacó, prudentes como eram e sabendo do risco que corriam por serem os que andavam mais bem vestidos, acataram o convite e ficaram com meu amigo. Ana, porém, sentia uma vontade enorme de rever seu marido, fossem quais fossem as condições. Insistiu tanto que a deixamos vir conosco. Já era noite, chegamos ao endereço. Cheirava mal, havia casas caindo aos pedaços na vizinhança e um conjunto de pessoas de índole duvidosa andava pelas ruas. Joseph, que sempre fora o mais corajoso, tomou a frente e bateu na porta. Ficamos um minuto parados sem resposta, até que uma voz adolescente gritou lá de dentro: "Já vai!"
Ao entrarmos, vimos a situação calamitosa do local. Quase não haviam móveis e ratos andavam pelos cantos. Num cômodo separado, estava Oseias. Se não fosse o garoto nos anunciar quem era o infeliz, nem teríamos o reconhecido. Estava deitado. Seu rosto parecia uns dez anos mais velho do que realmente era. A barba e o cabelo desgrenhado pioravam a situação. O corpo era tão magro que nem lembrava o esbelto Oseias da nossa juventude. Joseph e eu ficamos receosos em continuar, mas Ana correu em prantos para perto de seu amor. Para ela não importava mais o passado, mas agora pensava no futuro. Deixamos os dois a sós. Oseias mal conseguia falar, mas a presença de Ana era reconfortante para ele. Na sala, o garoto falou mais para nós. Ele era filho de uma meretriz e fora abandonado bem jovem. Se criou nas ruas e ganhava a vida ajudando o dono da taverna. Certo dia, Oseias sofreu um acidente e ficou paralítico. O menino o acolheu. Isso já fazia mais de um ano. Além da paralisia, Oseias também sofria de doenças decorrentes do vício em bebidas alcoólicas e da má higienização do local onde morava. Era precário, mas era o que o menino podia oferecer. Pra você que está se perguntando sobre a idade do jovem, ele devia ter uns 15 anos e se chamava Moisés, como o libertador de nosso povo. Segundo ele, Oseias não tinha mais muito tempo de vida se não fosse levado a um médico rápido, mas o que ele podia fazer?
- E Jesus? Não poderia curá-lo? - perguntei.
- Poderia, mas ele não vem muito para cá. E se viesse, como eu levaria um paralítico as portas da morte até ele? Todos os dias vou ver Jesus e conforto Oseias com suas palavras. É o que posso fazer pelo homem. - respondeu o garoto.
Naquela noite, nós três saímos dali tristes. Chegamos em casa já tarde. Expus a situação de nosso amigo a Rute e Jacó. Eles queriam vê-lo antes que fosse tarde.
No outro dia, logo cedo, saímos os cinco até a casa de Oseias. No caminho, passamos pela casa de Tarso, um homem rico da cidade. Pessoas se aglomeravam lá. Perguntei a alguém o que ocorreria e eles disseram que Jesus falaria ali naquela manhã. Naquele momento, a ideia brotou na cabeça dos cinco ao mesmo tempo: "Podemos trazer Oseias até Jesus!"
Corremos até a casa. Moisés se preparava para ir ao mercado quando chegamos. Pegamos uma maca e colocamos Oseias nela. Tínhamos de ser rápidos. Eu, Jacó, Joseph e Moisés pegamos a maca e mandamos as moças irem a frente abrindo caminho.
Ao chegarmos a residência de Tarso, estava tudo cheio. A rua estava lotada. Ana e Rute nos esperavam.
- Não há como entrar lá! - disseram - O único jeito seria se fôssemos por cima. - disseram em tom sarcástico.
- Espere! - gritou o garoto - você está certa. Rápido, precisamos de cordas, uma escada algo para quebrar o teto!
A ideia era absurda, mas podia dar certo. Corremos pela vizinhança e conseguimos os itens. Com a ajuda das mulheres, subimos a maca para cima da casa. Quem estava fora percebeu nosso plano, mas as pessoas de dentro da casa nem imaginavam algo. Lá dentro, Jesus falava. Vários fariseus estavam ali para contestar Jesus. De repente, o teto começou a abrir-se e pedaços dele caíram no colo de Jesus, A luz do sol invadiu o recinto. Todos pararam e olharam para cima. A maca de Oseias desceu vagarosamente. Lá embaixo, os fariseus torceram o nariz. Jesus porém, olhou para cima, sorriu para nós e olhou novamente para o paralítico. Nesse momento Ana e Rute, que cortaram caminho pela multidão, chegaram para ver a cena lá de dentro.
- Seus pecados estão perdoados. - disse Jesus a Oseias.
O corpo dele pareceu relaxar. No fundo, o que Oseias mais ansiava era o perdão por seus atos, não a cura física.
Os fariseus se olharam. Um burburinho começou lá dentro. Como podia Jesus ter a autoridade de perdoar pecados? Jesus olhou fixamente para todos.
- Acham que não posso perdoar pecados? Por que pensam coisas tão ruins em seu íntimo? - disse Jesus, como se lê-se as mentes das pessoas - É mais fácil dizer a esse homem que seus pecados foram perdoados ou que ele levante-se e ande normalmente? - todos ficaram quietos - Para que todos saibam que tenho a autoridade de perdoar pecados eu lhe digo meu jovem: Levante-se e anda!
Ficamos espantados! Oseias deu um salto. Sua face envelhecida pareceu rejuvenescer. Abraçou Ana aos prantos e saímos todos dali.
Hoje, o quinteto maravilha tem mais membros. Nos vemos periodicamente. Ana e Oseias voltaram a morar juntos e começaram uma nova vida. Rute e Jacó voltaram para Jerusalém e levaram junto a Moisés, como afilhado. Eu continuo tocando minha vida como pescador, mas agora com um diferencial: eu sigo a Jesus. O rabi, que hoje tenho certeza que é o Messias, trouxe um novo rumo para todos nós. Ele mudou minha vida para melhor, deixe-o fazer o mesmo contigo.
História da semana #135 - Reencontro (parte 2)
O quinteto maravilha! Era assim que eles se chamavam quando adolescentes. Cinco jovens que percorreram toda a Galileia em busca das mais diversas aventuras e descobertas. Mas na história da vida sempre chega o momento de parar e eles pararam. Cada um foi para um lado. Cinco destinos diferentes que se destinavam a reunir-se mais uma vez e com um único propósito: Jesus. Ninguém sabia ao certo o que esperar do novo rabi que surgia na região, mas ele tinha algo diferente e um acontecimento inesperado vai forçar o reencontro dos cinco para buscar o Messias. Nessa semana, continue acompanhando a jornada de Isaías e de Rute para encontrar seus velhos amigos e descobrir quem de fato é Jesus de Nazaré.
Com o dinheiro das próximas semanas encaminhado devido a pesca maravilhosa e com a chegada de Rute e seu esposo a Cafarnaum, decidi abandonar as redes por um tempo. A chegada de minha antiga amiga foi emocionante para nós. Era uma sexta-feira a tarde quando seu barco chegou. Apesar do alto nível financeiro de seu marido, eles não quiseram procurar uma estalagem ou ficar na casa dos líderes da Sinagoga de Cafarnaum, pelo contrário, escolheram ficar em minha humilde casa. O santo Shabat chegou logo e todos descansamos naquele dia. De manhã, na sinagoga, as atenções se dividiram. O fato de um fariseu membro do Sinédrio de Jerusalém se encontrar ali atraiu a atenção de muitos, mas logo que Jesus e seus discípulos chegaram ao recinto, mesmo que de forma discreta, os olhares foram dirigidos a eles. Jairo, o líder da sinagoga na cidade, convidou Jacó, esse é o nome do marido de Rute, para ler a Torah e dizer algumas palavras. Tudo correu bem, mas no fim, os líderes foram falar com Jacó:
- Cremos que sabemos o motivo que o traz aqui. É Jesus, não é? - perguntou Jairo.
- Não posso deixar de dizer que Jesus atrai a curiosidade dos membros do Sinédrio. - respondeu Jacó.
- Pois saiba que temos tido uma postura rígida com esse novo Rabi. Seus atos não são lá muito admiráveis...
- Permita-me discordar disso - disse Jacó surpreendendo Jairo - não vejo problemas com Jesus, apesar de tudo. Mas, enfim, não foi isso que trouxe a Cafarnaum. Minha esposa é daqui e gostaria de reencontrar alguns velhos amigos. Nisso acho que você pode ajudar. Conheces alguma Ana que trabalha como cuidadora de crianças na casa de um homem rico?
- Mas que coincidência! Não é outra senão a minha empregada que cuida de Tabita, minha filha!
Naquele dia, almoçamos todos em casa de Jairo. O reencontro entre Ana e Rute, duas grandes amigas, fez muito bem as duas. O apelo feito por Jacó a Jairo deixou o líder da cidade sem opções senão liberar Ana para passar uma semana conosco. Não posso deixar de destacar aqui, também, os bons modos da doce garotinha de Jairo, Tabita, que você deve já ter ouvido falar por intermédio de outro milagre de Jesus, mas isso fica para outra história.
Findado o Shabat os três membros do "quinteto maravilha" e seus cônjuges se empenharam em achar os outros dois membros do grupo. Que tristeza foi para nós descobrir que Ana e Oseias já não estavam juntos. Já disse antes que esta não é a história de nossos passados, mas de nosso presente, mas acho importante que o leitor saiba que Oseias, um bêbado de carteirinha, abandonou Ana. Apesar disso, Ana possuía fé em reencontrar o marido. Quanto a Joseph, irmão de Ana, ela nos surpreendeu com a boa nova de que ele se encontrava nas proximidades de Cafarnaum. Mais uma vez, senti que Deus vinha encaminhando esse reencontro. E mais uma vez o novo Rabi se encontrava no meio da história. O que acontece é que os zelotes enxergaram em Jesus um possível líder revolucionário e queriam ele em seu partido. Joseph estava na cidade para examina-lo. Apesar disso, não seria fácil encontrá-lo. Sua localização era confidencial, pois era foragido. Segundo Ana, o zelote estava impressionado com os dons Rabi. Naquela noite conversamos até altas horas sobre os velhos tempos e sobre Jesus. Seria Ele o Messias? Jacó, que entendia muito dos profetas, flertava com essa ideia, mas buscava cautela no assunto. Minha opinião era mais radical. Era óbvio para mim que o milagreiro era o Messias. Ana, empregada na casa de um líder da sinagoga, concordava com o chefe e via Jesus como um revolucionário não muito agradável.
No raiar do dia, quando o galo cantou, saímos em direção a possível localização de Joseph. Era uma vila de pescadores. Conhecia os moradores e logo eles me deram a localização do forasteiro. Ao entrarmos na cabana, não havia ninguém. Tudo escuro. De repente, entretanto, um vulto caiu sobre nós e sua mão armada com uma faca encontrou o pescoço de Jacó. Todos pararam. O zelote começou a falar:
- Falem quem são vocês ou eu mato esse fariseu!
- Somos amigos. Não viemos prendê-lo. Não nos reconhece? Sou eu, Isaías.
Joseph soltou a faca no chão, largou Jacó e fez uma cara de espanto, seguida de um apertado abraço em todos. Contamos tudo a ele. Nossa conversa nos levou a um estabelecimento onde ficavam os bêbados da região.
Joseph conhecia o lugar que não era nem um pouco agradável. Meretrizes, coletores de impostos, bêbados e apostadores dividiam o local. O dono do estabelecimento estava sentado em uma mesa jogando. Ao entrarmos todos pararam, inclusive os músicos. A presença de um membro do Sinédrio, levou o dono a vir nos receber.
- O senhor, por acaso, conhece um homem de nossa idade, baixo, de barba desgrenhada que atende pelo nome de Oseias?
Conseguimos um endereço. O reencontro do quinteto estava próximo. Entretanto, algo terrível nos surpreenderia e Jesus finalmente entraria de fato em nossas vidas.
Continua na próxima semana.
Com o dinheiro das próximas semanas encaminhado devido a pesca maravilhosa e com a chegada de Rute e seu esposo a Cafarnaum, decidi abandonar as redes por um tempo. A chegada de minha antiga amiga foi emocionante para nós. Era uma sexta-feira a tarde quando seu barco chegou. Apesar do alto nível financeiro de seu marido, eles não quiseram procurar uma estalagem ou ficar na casa dos líderes da Sinagoga de Cafarnaum, pelo contrário, escolheram ficar em minha humilde casa. O santo Shabat chegou logo e todos descansamos naquele dia. De manhã, na sinagoga, as atenções se dividiram. O fato de um fariseu membro do Sinédrio de Jerusalém se encontrar ali atraiu a atenção de muitos, mas logo que Jesus e seus discípulos chegaram ao recinto, mesmo que de forma discreta, os olhares foram dirigidos a eles. Jairo, o líder da sinagoga na cidade, convidou Jacó, esse é o nome do marido de Rute, para ler a Torah e dizer algumas palavras. Tudo correu bem, mas no fim, os líderes foram falar com Jacó:
- Cremos que sabemos o motivo que o traz aqui. É Jesus, não é? - perguntou Jairo.
- Não posso deixar de dizer que Jesus atrai a curiosidade dos membros do Sinédrio. - respondeu Jacó.
- Pois saiba que temos tido uma postura rígida com esse novo Rabi. Seus atos não são lá muito admiráveis...
- Permita-me discordar disso - disse Jacó surpreendendo Jairo - não vejo problemas com Jesus, apesar de tudo. Mas, enfim, não foi isso que trouxe a Cafarnaum. Minha esposa é daqui e gostaria de reencontrar alguns velhos amigos. Nisso acho que você pode ajudar. Conheces alguma Ana que trabalha como cuidadora de crianças na casa de um homem rico?
- Mas que coincidência! Não é outra senão a minha empregada que cuida de Tabita, minha filha!
Naquele dia, almoçamos todos em casa de Jairo. O reencontro entre Ana e Rute, duas grandes amigas, fez muito bem as duas. O apelo feito por Jacó a Jairo deixou o líder da cidade sem opções senão liberar Ana para passar uma semana conosco. Não posso deixar de destacar aqui, também, os bons modos da doce garotinha de Jairo, Tabita, que você deve já ter ouvido falar por intermédio de outro milagre de Jesus, mas isso fica para outra história.
Findado o Shabat os três membros do "quinteto maravilha" e seus cônjuges se empenharam em achar os outros dois membros do grupo. Que tristeza foi para nós descobrir que Ana e Oseias já não estavam juntos. Já disse antes que esta não é a história de nossos passados, mas de nosso presente, mas acho importante que o leitor saiba que Oseias, um bêbado de carteirinha, abandonou Ana. Apesar disso, Ana possuía fé em reencontrar o marido. Quanto a Joseph, irmão de Ana, ela nos surpreendeu com a boa nova de que ele se encontrava nas proximidades de Cafarnaum. Mais uma vez, senti que Deus vinha encaminhando esse reencontro. E mais uma vez o novo Rabi se encontrava no meio da história. O que acontece é que os zelotes enxergaram em Jesus um possível líder revolucionário e queriam ele em seu partido. Joseph estava na cidade para examina-lo. Apesar disso, não seria fácil encontrá-lo. Sua localização era confidencial, pois era foragido. Segundo Ana, o zelote estava impressionado com os dons Rabi. Naquela noite conversamos até altas horas sobre os velhos tempos e sobre Jesus. Seria Ele o Messias? Jacó, que entendia muito dos profetas, flertava com essa ideia, mas buscava cautela no assunto. Minha opinião era mais radical. Era óbvio para mim que o milagreiro era o Messias. Ana, empregada na casa de um líder da sinagoga, concordava com o chefe e via Jesus como um revolucionário não muito agradável.
No raiar do dia, quando o galo cantou, saímos em direção a possível localização de Joseph. Era uma vila de pescadores. Conhecia os moradores e logo eles me deram a localização do forasteiro. Ao entrarmos na cabana, não havia ninguém. Tudo escuro. De repente, entretanto, um vulto caiu sobre nós e sua mão armada com uma faca encontrou o pescoço de Jacó. Todos pararam. O zelote começou a falar:
- Falem quem são vocês ou eu mato esse fariseu!
- Somos amigos. Não viemos prendê-lo. Não nos reconhece? Sou eu, Isaías.
Joseph soltou a faca no chão, largou Jacó e fez uma cara de espanto, seguida de um apertado abraço em todos. Contamos tudo a ele. Nossa conversa nos levou a um estabelecimento onde ficavam os bêbados da região.
Joseph conhecia o lugar que não era nem um pouco agradável. Meretrizes, coletores de impostos, bêbados e apostadores dividiam o local. O dono do estabelecimento estava sentado em uma mesa jogando. Ao entrarmos todos pararam, inclusive os músicos. A presença de um membro do Sinédrio, levou o dono a vir nos receber.
- O senhor, por acaso, conhece um homem de nossa idade, baixo, de barba desgrenhada que atende pelo nome de Oseias?
Conseguimos um endereço. O reencontro do quinteto estava próximo. Entretanto, algo terrível nos surpreenderia e Jesus finalmente entraria de fato em nossas vidas.
Continua na próxima semana.
História da semana #134 - Reencontro
O quinteto maravilha! Era assim que eles se chamavam quando adolescentes. Cinco jovens que percorreram toda a Galileia em busca das mais diversas aventuras e descobertas. Mas na história da vida sempre chega o momento de parar e eles pararam. Cada um foi para um lado. Cinco destinos diferentes que se destinavam a reunir-se mais uma vez e com um único propósito: Jesus. Ninguém sabia ao certo o que esperar do novo rabi que surgia na região, mas ele tinha algo diferente e um acontecimento inesperado vai forçar o reencontro dos cinco para buscar o Messias.
Quinteto maravilha! Um nome deveras infantil, mas quem de nós que ligava para isso? Eramos jovens imaturos, largados num mundo incerto. Embora os laços fossem fortes, acho que sempre soubemos que a separação era inevitável. Gostos diferentes, talentos diferentes, famílias diferentes, acho que ninguém arriscaria que um dia fossemos nos tornar melhores amigos, mas acho que o Deus de nossos pais tinha um propósito para isso. Antes de prosseguir no relato extraordinário que ocorreu em nosso reencontro, deixe-me apresentar-lhes quem eram os membros deste tão seleto grupo.
Me chamo Isaías, sou um pescador que vive as margens do Mar da Galileia. Atualmente sou casado e tenho uma filha. Naqueles tempos passados, e que tempos, era considerado o líder do grupo. Rute era a mais jovem do grupo, era de uma família rica da região. Possuía um riso quase angelical e era uma das mais animadas do grupo. Hoje, ela é esposa de um líder religioso em Jerusalém. Só nos vimos uma vez depois de seu casamento. O seu esposo não parece ser desses fariseus do Sinédrio que se dizem conhecedores das leis, mas que vivem da extorsão do povo. É um bom sujeito, um jovem sonhador que conhecemos, ironicamente, em uma de nossas últimas andanças como grupo. Joseph era o mais esquentadinho do grupo, mas isso nunca desfortaleceu nossa amizade. Apesar do temperamento, era o mais empolgado de todos. Formador de opinião e defensor de todos, era o que nos protegia em eventuais desavenças que tínhamos. Seu presente é um pouco confuso. Nem sei por onde anda, mas da última vez que ouvi falar dele, era um foragido por associação aos zelotes. As poucas vezes que obtenho notícias dele são quando recebo cartas de sua irmã Ana, outra integrante do grupo. Ana trabalha como serva na casa de uma família de Cafarnaum, ela ajuda a cuidar de crianças, afinal sempre teve jeito com isso. Era a mais devota a religião de todo o grupo e também a que eu mais confiava. Por último tínhamos Oseias. Ele sempre fora meu amigo, mesmo antes de conhecermos o restante do grupo e meus pais, diga-se de passagem, sempre tiveram um pé atrás com ele. Era boa gente, mas desses malandros e travessos. Logo que começamos a nos reunir, notava-se uma espécie de paixão entre ele e Ana. Não é segredo que se casaram, mas Oseias nunca foi um sujeito muito santo. Dói em mim pensar que Oseias já cometeu erros inimagináveis. Só mesmo alguém como Ana poderia ter aguentado. Por fim, tornou-se um ébrio. Mas, afinal, vamos prosseguir com o relato. Acho que pouco importam os motivos que nos levaram a nos reunir e a nos separarmos, são outras histórias e como dizem "passado é passado, o que importa é o presente."
O renascimento do grupo se deu por uma ordem de fatores que pretendo contar brevemente.
Já era noite, quando cheguei em casa. Minha esposa e meus filhos apenas me aguardavam para o jantar. Ao chegar, entretanto, me deparei com uma carta sobre a mesa. Segundo minha esposa, tinha chegado pela manhã. Ignorei-a e fui jantar, mas antes de dormir, resolvi abrir a carta e ver seu conteúdo. Qual não foi minha surpresa ao ver o remetente: Rute. Já fazia tempo que não tínhamos contato. Ela queria reunir a turma novamente, disse que não conseguiu falar com mais ninguém e pediu urgência na resposta. Perguntou-me também sobre o assunto da moda, afinal todos falavam disso. O novo rabi, o tal de Jesus. Embora morasse em Cafarnaum, pouco tinha a dizer sobre ele. Religião não é meu forte, ia a sinagoga todo o sábado e cumpria as leis a risca, mas nunca senti nada ao fazer isso, fazia por obrigação e por educação. Com a economia como está, deixar o trabalho para rever novas amizades só poderia ser ideia de uma nobre, mas para nós era inviável. No outro dia porém, algo me surpreendeu. Saí cedo para a pesca e, apesar do tempo não estar favorável, pesquei como nunca. Não fui egoísta, chamei meus companheiros para a região, mas os peixes pareciam atraídos por mim, somente eu consegui uma boa pesca. E que pesca! Com as vendas do dia, obtive o dinheiro que obtenho em duas semanas. Aquilo por si só já parecia sobrenatural. Lembrei-me da carta e das impossibilidades de ir ao encontro de Rute e logo liguei os pontos. Seria Deus intervindo para que esse encontro acontecesse? Se não bastasse, ao ir em direção a minha casa, passei pela praça e lá estava Jesus. Muitas pessoas se aglomeravam para vê-lo, mas consegui um bom lugar. Suas palavras eram diferentes. Tão reais, confortantes e inspiradoras que qualquer um poderia dizer que ali estava alguém especial. Depois, vi com meus próprios olhos, Jesus curou um cego. Dá para acreditar? Os relatos eram verdadeiros, Jesus era realmente um homem diferente. Mais uma vez a carta me veio a cabeça. Seria pura coincidência ou seria Deus tentando reunir cinco velhos amigos para um propósito especial? Jesus estava envolvido nisso?
Ao chegar em casa, separei o dízimo, dei a minha esposa o restante e expus a ela minhas indagações. Tomamos a decisão e logo escrevi a resposta a minha antiga amiga. Contei-a do ocorrido e dei minhas opiniões sobre o tal rabi: "Levando em conta tudo que aconteceu, acho que Deus quer esse reencontro. Algo excepcional está para acontecer com o 'quinteto maravilha' e tenho a impressão que o novo rabi tem algo a ver com isso. Aguardo a você em Cafarnaum."
Em poucos dias, Rute e seu marido chegaram a Cafarnaum, mas isso é história para a semana que vem.
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